UEM comemora implantação do curso de Física Médica 02/08/2020 - 10:40

A Universidade Estadual de Maringá (UEM) anunciou, nessa quinta-feira (30), a implantação do novo curso de Física Médica, no Câmpus de Goioerê. Durante o evento, o superintendente de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti), Aldo Bona, também anunciou a liberação de recursos da Seti para o Câmpus de Goioerê. Curso aprovado no fim de 2019, oferta 40 vagas, com duração de quatro anos com aulas no período vespertino e noturno, que serão ofertados já para o próximo vestibular.

O evento, que foi presidido pelo reitor da UEM, Julio Damasceno, também contou com a presença do diretor do Câmpus Regional de Goioerê, Gilson Croscato, do superintendente de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti), Aldo Bona, do assessor do Governo do Estado, Roberto dos Reis Lima, do prefeito de Goioerê, Pedro Coelho, além de autoridades da região.

O processo de estudo para implantação do novo curso teve início há um ano, quando professores da UEM e sociedade civil organizada de Goioerê reuniram-se para estudar a viabilização da graduação. “Estamos colhendo o fruto daquela reunião, fazendo a junção da física com a medicina, fortalecendo ainda mais o ensino regional. Foi também pela implantação do curso de Física Médica que conseguimos trazer para a cidade a UTI da Santa Casa”, lembra Roberto dos Reis Lima.

Para o reitor, o anúncio de um novo curso acontece em função dos esforços dos docentes do Câmpus de Goioerê. “Os professores dessa casa elaboraram o projeto, foram insistentes, aprovando por meio de nossos conselhos o curso de Física Médica. Isso foi feito pelos esforços dos nosso professores, mas também pelo reconhecimento da Universidade de que, de fato, é um curso inovador, importante e essencial para o Paraná e Goioerê”, explica Damasceno.

“Hoje Goioerê entra na rota desses profissionais, desse caminho de alto nível de inovação tecnológica. Esperamos em breve termos ex-alunos fazendo parte de equipes, desenvolvendo equipamentos de diagnósticos, melhorando as condições dos nossos profissionais de saúde para cuidar cada vez mais de forma digna da saúde de todos nós”, completa o reitor.

Segundo Bona, a implantação desse novo curso oferece condições para que o interior possa se desenvolver. “Estudos mostram que cerca de 70% dos jovens que saem para os grandes centros em busca de formação, não retornam para o seu lugar de origem. Permitir que o jovem possa se formar aqui, é a garantia de que a inteligência que essa região produz e a capacidade de transformação regional permanecerão aqui, e ajudará cada vez mais a cidade a se desenvolver”, explica Bona,

No próximo mês o câmpus da UEM em Goioerê completa 29 anos de contribuição para a história de muitos goioerenses. “Naquela época foi desafiador, com projetos diferenciados, como o primeiro curso de Licenciatura de Ciências e o primeiro de Engenharia Têxtil do Paraná, o segundo do Brasil. Claramente nosso câmpus regional transforma vidas e traz sonhos pra nossos jovens, e agora com a implantação do novo curso, comprovamos que somos um espaço transformador para o desenvolvimento”, declara Croscato.

Para o presidente da Associação Comercial Empresarial de Goioerê, José Alexandre Cândido, a implantação do novo curso vai fortalecer o crescimento social e geração de emprego e renda de qualidade da cidade.

Além de todo o benefício elencado por Cândico, o prefeito da cidade lembra que esse investimento não beneficia apenas a população de Goioerê, mas todas as nove cidades da microrregião.

 

Recursos anunciados à UEM

O primeiro recurso apresentado por Bona foi referente à emenda parlamentar do Deputado Federal Hermes Parcianello, no valor de R$ 1,4 milhão. Desse valor, R$ 700 mil já estão disponíveis à UEM para a construção da nova Biblioteca e dois blocos didáticos do Câmpus de Goioerê.

“Estamos aqui também para anunciar a liberação, já em processo, de R$ 92 mil para equipamentos de laboratórios na área de informática do Câmpus, que é tão necessário nesse período de pandemia para a retomada das aulas remotas. Para bem atender a seus estudantes e para que os professores possam, com qualidade, produzir as atividades remotas e as suas aulas e, na outra ponta, os estudantes tenham como receber e acessar essas informações.”

Outro recurso apresentado por Bona foi a liberação de R$ 330 mil, provindos da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná para que a universidade possa investir em equipamentos e pacotes de dados para que aqueles estudantes carentes, que não têm equipamentos e internet de qualidade, possam desenvolver as atividades remotas, sem que haja prejuízo na formação.

“Também conseguimos liberar para cada Universidade mais R$ 1 milhão para, prioritariamente, atender a esta demanda. Liberamos na semana passada o acesso ao recurso, que deverá ser usado na priorização do atendimento aos estudantes, mas também estará disponível naquilo que a Universidade precisar” conclui Bona.

Esses recursos são investimentos importantes que facilitam que a UEM cumpra o seu papel de contribuir com o desenvolvimento regional.  

 

O Curso de Física Médica

Hoje, no Brasil, existem 18 cursos de Física Médica, sendo seis em São Paulo, quatro no Rio Grande do Sul, dois no Rio de Janeiro, dois em Minas Gerais, um em Brasília, um em Goiânia e um Sergipe, e agora o primeiro curso do Paraná, sendo ofertado pela UEM em Goioerê.

Os dois primeiros anos de curso compõem as disciplinas de Física e Cálculo. Química, Biologia e Ciências Humanas somam mais 6 meses. As disciplinas específicas de Física Médica soma mais 1 ano e, por fim, o estágio supervisionado no hospital, com a duração de 6 meses.

O professor Ronaldo Celso Viscovini presidiu a comissão de elaboração do projeto do curso de Física Médica que contou com a colaboração de professores dos Departamentos de Ciências de Goioerê e de Física de Maringá.

Ele explica que o curso forma físicos para trabalhar interagindo com a medicina. “O Físico Médico pode trabalhar com radioterapia, ele planeja a dose e o local de aplicação para que essa aplicação seja mais segura e eficiente possível; medicina nuclear, quando são aplicados isótopos diretamente no paciente, um exemplo é a iodoterapia. Além de fazer o planejamento do tratamento, ele também faz a parte de preparação dos compostos radioativos que serão usados no tratamento; podendo atuar também no diagnóstico por imagem,  tanto no controle de qualidade, no treinamento de operadores e em uso de equipamentos de altíssima tecnologia para ter o máximo de aproveitamento do equipamento; e por fim, está a frente das novas fronteiras da medicina em áreas como o laser médico, a robótica, e também ondas Terahertz, que são o futuro do diagnostico por imagens”, explica Viscovini.