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09/10/2018

Fórum Regional de Perspectivas Climáticas confirma previsão de primavera mais chuvosa e um pouco mais quente do que o normal

Iniciada às 22h54 do dia 22 de setembro, a primavera deverá ser mais chuvosa e um pouco mais quente do que o normal no Paraná. Esta previsão agrega as conclusões do prognóstico de consenso lançado por especialistas em clima de seis países reunidos de 25 a 27 de setembro no Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná) por ocasião do XLIII Fórum Regional de Perspectivas Climáticas do Centro Regional do Clima para o Sul da América do Sul. O evento foi organizado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e Centro Regional do Clima para o Sul da América do Sul, com apoio da Organização Meteorológica Mundial, Simepar e Agência Estadual de Meteorologia da Espanha (AEMET). Participaram representantes dos serviços meteorológicos da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai.

Segundo o meteorologista do Simepar, Cezar Duquia, é provável que o fenômeno climático El Niño se desenvolva durante a primavera com fraca intensidade. As temperaturas superiores à média na subsuperfície do Oceano Pacífico e o aumento contínuo das anomalias dos ventos do Oeste causam alterações nos padrões do tempo. Este trimestre deve ser um pouco mais chuvoso do que a normal climatológica no Paraná. “A nossa primavera caracteriza-se habitualmente pelo retorno das chuvas abundantes, com aumento gradativo dos valores acumulados médios de um mês para o outro”, explica Duquia.

O histórico de dados climatológicos dos últimos vinte anos demonstra que em outubro costuma chover mais com menor variação espacial dentro de uma mesma microrregião. As regiões que registram chuvas mais expressivas são a Sudoeste e parte do Oeste. Em novembro, as variações interregionais são mais frequentes, com chuvas nas regiões Oeste, Sudoeste, Sul e na Serra do Mar em direção ao Litoral.

O Simepar prevê que as temperaturas seguirão a tendência da normalidade para a primavera, mantendo a característica de média a ligeiramente acima da média. Em outubro as massas de ar frio tornam-se mais raras e fracas, com temperaturas aumentando em média de 2 ºC a 3 ºC em relação a setembro. As temperaturas sobem gradativamente a partir de novembro. O final da primavera deve apresentar uma condição climática específica, com elevação do teor térmico (aquecimento) associada à maior ocorrência de chuvas.

AGRICULTURA – “A volta das chuvas no início da estação favorece a semeadura das culturas de primavera/verão”, observa a pesquisadora em agrometeorologia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Ângela Costa. O aumento das temperaturas e da disponibilidade hídrica permite que a vegetação normalize seu ciclo de crescimento. Considerando que El Niño agrava os riscos de chuvas intensas, a pesquisadora recomenda o reforço dos cuidados com o manejo e a conservação do solo: “Deve ser mantida uma boa cobertura de palhada com a manutenção dos terraços e as operações de manejo devem ser executadas em condições adequadas de umidade do solo”.

DEFESA CIVIL - A primavera é o momento adequado para que os municípios atualizem seus planos de contingência para o verão por meio da ferramenta da Defesa Civil, disponível on line.
A estação termina às 20h23 do dia 21 de dezembro no horário de verão, que tem início à zero hora do dia 4 de novembro e termina às 23h59 do dia 16 de fevereiro de 2019.

MODELOS CLIMÁTICOS - A análise do Simepar e o prognóstico de consenso do Fórum Regional de Perspectivas Climáticas consideram as condições oceânicas e atmosféricas globais recentes e previstas. Baseiam-se nos modelos emitidos pelo Centro de Previsões Climáticas da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), Centro Líder da Organização Meteorológica Mundial, Iniciativa Euro-Brasileira para melhorar as previsões sazonais da América do Sul (Eurobrisa), Instituto Internacional para a Pesquisa em Clima e Sociedade, Centro Climático APEC e Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/INPE).

“O desafio contemporâneo consiste no uso cada vez mais intensivo de inteligência artificial aliada à computação científica e ao sensoriamento remoto”, afirmou o diretor do Simepar, Eduardo Alvim Leite, destacando a transformação no papel do meteorologista como consultor de análise e supervisor das informações. Na era do “Big Data”, os provedores de informação ambiental evoluem para o compartilhamento dos modelos e a emissão automática de alertas sobre eventos climáticos severos e extremos.

O pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Francisco de Assis Mendonça, destacou a relevância do Fórum no contexto de avanço da ciência, da tecnologia e das instituições para o desenvolvimento da sociedade: “Aglutinou pesquisadores da maior qualidade científica em climatologia e ciências atmosféricas, com tecnologia de ponta, para estudar a dinâmica e os impactos do clima e do tempo sobre as cidades, a agricultura e a economia”.

O Fórum promoveu um treinamento para uso do aplicativo Clima-RMV, ministrado pelo meteorologista do INMET Mozar Salvador. Houve discussões técnicas sobre o método de downscaling no sistema de previsão sazonal do North American Multi-Model Ensemble e o modelo de verificação de prognóstico do Serviço Meteorológico Nacional da Argentina. Uma nova reunião está prevista para dezembro a fim de estabelecer um prognóstico de consenso para o verão 2018-2019 no Sul da América do Sul.
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