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04/02/2019

Projeto de extensão da UEL mapeia casos de câncer infanto-juvenil

O câncer se tornou a primeira causa de morte por doença na faixa de 1 a 19 anos de idade. A leucemia é o tipo de câncer mais incidente e, em 2014, foram registrados quase 395 mil casos em todo o Brasil, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer. Tais números facilmente demonstram a necessidade de constantes pesquisas sobre a doença e, neste sentido, a Geografia da Saúde pode ajudar muito. É o caso do projeto de extensão da Universidade Estadual de Londrina (UEL) "MAPCCAN: Mapeamento dos casos de câncer infanto-juvenil - caso da Organização Viver, de Londrina - PR", coordenado pelo professor Osvaldo Coelho Pereira Neto (Departamento de Geociências).

Através do Sistema de Informações Geográficas (SIG), que tem ganhado cada vez mais importância em diversas áreas do conhecimento, é possível localizar os casos de câncer, fornecendo panorama epidemiológico útil tanto para a prevenção e adoção de políticas públicas, quanto para pesquisadores. O SIG reúne programas que integram dados a mapas e assim permite e facilita a representação e a análise de fenômenos ocorridos em determinado espaço.

O projeto utiliza dados da ONG Viver, de Londrina, que presta assistência a pacientes de vários municípios do Paraná, especialmente da região norte do estado, abrangendo quatro macrorregiões que ocupam o Paraná de leste a oeste em sua metade setentrional. A ONG tem sede ao lado do Hospital do Câncer de Londrina e o professor tem encontros semanais com membros da entidade. Os dados utilizados são de 2014 a 2019, de pacientes de 1 a 18 anos de idade.

Osvaldo lembra que muitas variáveis podem atuar na ocorrência dos casos de câncer (ambientais ou não), e os mapas ajudam a visualizar algumas delas, estimulando mais pesquisas e ações preventivas. Enfocar crianças e jovens tem outra vantagem metodológica: eles provavelmente sempre viveram onde estão, reduzindo variáveis.

Cada ponto do mapa representa um caso de câncer. O projeto mapeou mais de 70. Com o SIG, é possível produzir diferentes mapas - por sexo e por tipo de câncer, por exemplo - e ainda sobrepor um ao outro. Um aspecto que chamou a atenção é que os casos de leucemia (mielóide e linfóide, a mais comum) parecem seguir um "eixo" entre Londrina e Apucarana, ou seja, tem expressiva incidência tanto nestas duas cidades quanto nas que estão entre elas: Cambé, Rolândia e Arapongas.

Curiosamente, quando observados somente os casos no sexo masculino, eles ficam concentrados, enquanto no sexo feminino eles se "diluem" em um maior número de municípios.

OUTRAS PESQUISAS
Segundo o professor Osvaldo, a pesquisa mais antiga, precursora do atual SIG, data do século XIX e ocorreu na Inglaterra. Um médico espacializou cada caso de cólera registrado em Londres, e descobriu que grande parte dos pacientes morava próximo a determinado poço de água. Mandou fechar o poço e deteve o aumento da epidemia.
Outras pesquisas através do SIG já foram realizadas, à semelhança do projeto do professor Osvaldo. Ele cita uma, feita por uma ex-aluna da UEL, que ao mapear uma doença descobriu que os casos se deslocavam de região com o passar do tempo. Com isso, tornou-se possível prever o "caminho" da doença e sugerir o investimento de recursos mais racionalmente no combate a ela.

ONG VIVER
Fundada em 2001, a ONG Viver dá suporte a pacientes infanto-juvenis com câncer, fornecendo hospedagem, alimentação e suplemento nutricional, medicação, alguns exames e acompanhamento psicológico e odontológico, além de promover atividades socioeducativas e doações de roupas, calçados e brinquedos. A entidade acompanha mais de 150 pacientes, vindos de cerca de 50 cidades do estado. A manutenção depende do apoio dos voluntários e de doações da comunidade.
O site da organização é www.ongviver.org.br/.
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