Fundação Araucária vai investir R$ 1 milhão no projeto "DNA Olímpico" 26/08/2013 - 16:20

A Fundação Araucária, vinculada à Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), vai apoiar o projeto “DNA Olímpico” com até R$ 1 milhão. O projeto, lançado pela Secretaria do Esporte para descobrir jovens talentos a partir de investigação genômica, foi baseado em estudos realizados no Centro de Educação Física e Esporte (CEFE) e no Centro de Ciências Biológicas (CCB) da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Inédito no Brasil, o projeto destaca o Paraná no cenário esportivo brasileiro e vai potencializar o desempenho dos atletas paranaenses. Serão analisadas características genéticas de crianças e adolescentes beneficiados pelos programas esportivos da secretaria, como Talento Olímpico do Paraná (TOP), Segundo Tempo Modalidades, Jogos Escolares e Jogos da Juventude.

“É uma honra participar de um projeto desse porte, pois atua na mesma linha que seguimos dentro da Fundação Araucária, que é a de investir em ideias e pessoas. Devemos em breve lançar o edital, para que possamos contar com o auxílio das universidades e institutos de pesquisa do Estado do Paraná no desenvolvimento de projetos específicos. Com essa ajuda, o 'DNA Olímpico' servirá de vitrine para todo o Brasil”, afirmou o presidente da Fundação Araucária, Paulo Brofman.

“O projeto consiste na criação de um banco de dados biológicos que possibilita o estudo do DNA e a partir disso a identificação das aptidões dos atletas. Com isso podemos direcioná-los para treinamento específico de acordo com as suas características genéticas. É uma inovação de pesquisa genética desenvolvida nos países de primeiro mundo”, destacou o coordenador do “DNA Olímpico” e pesquisador/diretor do Instituto Paranaense de Ciência do Esporte (IPCE), Carlos Dourado.

O projeto vai possibilitar o mapeamento genético de atletas em competições nacionais e internacionais, deixando um legado esportivo científico para futuras gerações de atletas, técnicos e gestores do esporte de alto rendimento no Estado e no Brasil. O DNA Olímpico atende à determinação do governador Beto Richa de implantar programas que permitam a revelação de atletas, com base em estudos e pesquisas científicas.

O Governo pretende transformar o Estado em referência nacional de gestão do esporte em todas suas dimensões: educacional, de rendimento, de lazer e saúde. A intenção contribuir para o desenvolvimento e construção de conhecimento das ciências do esporte, e também, do ser humano e da sociedade.

Estudos da UEL

O professor do Departamento de Biologia Geral do CCB, pró-reitor de
Pesquisa e Pós-Graduação da UEL, Mário Sérgio Mantovani, explica que os
estudos estão sendo realizados dentro do programa de pós-graduação em
Genética e Biologia Molecular. O projeto conta com a participação da
professora Daniele Sartori, também do CCB.

Segundo Mantovani, as características físicas e fisiológicas dos
indivíduos são definidas pelos genes, e como eles interagem com o meio
ambiente, alimentação, hábitos de vida e atividades físicas. E o estudo
busca a identificação de genes específicos que possam determinar o sucesso
desses atletas, considerando as modalidades esportivas correlacionando-as
com o DNA do atleta e seu desempenho.

“Poderemos no futuro qualificar os atletas ainda jovens com maior
capacidade para sucesso ou desempenho num determinado esporte”, explica
Mantovani. Ainda de acordo com o professor, o desenvolvimento dos atletas
ao longo do tempo vai poder mostrar claramente se existe correlação entre
o desempenho dos atletas com as características genéticas identificadas no
projeto.

“Como a população brasileira apresenta uma característica peculiar que é a
miscigenação, isso torna nossos estudos de grande relevância, uma vez que
nenhum outro país tem a nossa constituição genética”, afirma Mário Sérgio
Mantovani, completando que estudos semelhantes estão sendo feitos na
Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), buscando igualmente desvendar
o talento genético de atletas de alto nível.