HURCG faz primeira captação de órgãos para transplantes 29/09/2015 - 15:00

O Hospital Universitário Regional dos Campos Gerais (HURCG) fez, no último sábado (26), a sua primeira captação de órgãos para transplantes. A retirada dos órgãos ocorreu no centro cirúrgico do próprio hospital. A doação de dois rins, duas córneas e do baço foi autorizada pela família do paciente diagnosticado com morte encefálica na sexta-feira (25). O procedimento realizado pela equipe da Central Estadual de Transplantes (CET) coincidiu com as atividades alusivas ao Dia Nacional de Doação de Órgãos, no domingo (27), somando-se ainda ao fato de setembro ser o ‘Mês do Doador de Órgãos’.

O diretor geral do HURCG, Everson Krum, comenta que a realização de todos os procedimentos no próprio hospital só foi possível graças à qualidade das instalações e equipamentos disponibilizados à equipe da CET, bem como ao trabalho de apoio feito pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT). “O HURCG passar a ser referência regional para mais este serviço, que vai, certamente, contribuir para a elevação dos índices de doação de órgãos nos Campos Gerais”, diz Everson Krum.

O coordenador da CIHDOTT do Hospital Universitário, enfermeiro Guilherme Arcaro, explica que o procedimento segue ao protocolo da CET, num trabalho que inicia desde a entrada dos pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “A equipe avalia e acompanha os potenciais doadores, mantendo a Central de Transplantes informada sobre todos os procedimentos realizados”. Uma vez aberto o protocolo de diagnóstico de morte encefálica, desencadeia-se uma série de ações, com a realização de exames clínicos e acompanhamento de médicos especialistas de várias áreas.

Ao mesmo tempo é feita a preparação da família, que recebe o comunicado da abertura do protocolo e passa a ter o acompanhamento de psicólogos e assistentes sociais da CHIDOTT. Feita a retirada dos órgãos, estes são transportados para o local onde se realizará o transplante. A distribuição dos órgãos é feita pela CET seguindo critérios do Ministério da Saúde, via Sistema Informatizado de Gerenciamento do Sistema Nacional de Saúde (SIG/SNT), para pacientes em lista de espera para transplante. Existe no país um cadastro único de potenciais receptores.

A assistente social Benildes Kaiut Schemberger comenta que uma das dificuldades é explicar para os familiares sobre a morte encefálica. “Eles veem o paciente respirando e, muitas vezes, se recusam a acreditar que não há mais possibilidades de sobrevivência”. Ela explica que a morte encefálica se constitui na interrupção irreversível das atividades do cérebro, causada por traumatismo craniano, tumor ou derrame. “Como toda a atividade do corpo é comandada pelo cérebro, uma vez diagnosticada sua morte, isso significa o óbito do paciente”.

Com relação aos tabus existentes em relação à doação de órgãos, Benildes Schemberger coloca o fator cultural como um dos motivos pela recusa dos familiares em autorizar a doação, mesmo que o paciente tenha manifestado essa intenção em vida. “As pessoas acham que o corpo vai ficar mutilado e não poderá ser velado”. O aspecto religioso, segundo ela, muitas vezes, conta a favor, a partir do momento que as pessoas têm a consciência de que os órgãos doados vão servir a outras pessoas que têm o transplante de órgãos como única chance de sobrevivência ou de uma melhor condição de vida.

A chefe de Enfermagem, Sarah Mazer, também integrante da CIHDOTT, afirma que o processo do diagnóstico de morte encefálica, consentimento da família e retirada dos órgãos deve ser feito em um curto espaço de tempo. No caso da primeira captação no HURCG, esse processo durou cerca de 24 horas. De acordo com a enfermeira, dependendo do órgão, o espaço de tempo entre a retirada do órgão do doador e transplante para o paciente é muito curto.

Sarah Mazer explica que, entre os órgãos que podem ser doados, estão o coração, rins, pâncreas, pulmões, fígado e intestinos. A lista de tecidos inclui córneas, pele, ossos, valvas cardíacas e tendões. Cada um tem suas especificidades, como idade mínima e máxima para doação e sexo, no caso da doação de ossos, além do tempo para implante. No caso de um transplante de coração, a idade mínima é de 7 dias; e a máxima, 55 anos. O prazo para implante é de até 4 horas. No caso de córneas, até 24 horas, se o corpo for refrigerado; rim, até 36 horas.

Também integram a CIHDOTT do HURCG a psicóloga Bruna Florenski Lemos; enfermeiro Carlos Fabrício Ribeiro; enfermeira Daniela Brasil (coordenadora do Comitê de Qualidade); médico rotineiro de UTI, Délcio Caran Bertucci Filho; médico presidente da Comissão de Ética Médica, João Felipe de Lara Bueno; enfermeira da UTI Neonatal e Pediátrica, Juliana Cristina Estefanski Silva; assistente social Kelly Kreinski Crivoi; médico da UTI Neo Natal e Pediátrica, Marcos Nader Amari; técnica de Enfermagem da UTI Adulto, Maria Elisangela Alves Machado; técnica de enfermagem UTI Neo Natal e Pediátrica, Neidy Forte Zelenski; enfermeira Rafaela Scoczynski; coordenador do Núcleo de Comissões Hospitalares, Rogério Santos Clemente; e a técnica de enfermagem da UTI Geral, Sirlene Zacheski Schlosser.