Pela primeira vez, UEM gradua duas transexuais

Na última semana, mil estudantes colaram grau pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Dentre eles, um novo capítulo também teve início na vida de Daniele de Oliveira e Naomi Neri, as primeiras transexuais a obterem diploma de graduação na história da UEM. Além disso, a colação de grau das duas adiciona mais um capítulo inédito na existência da instituição, uma vez que Daniele e Naomi conquistaram o direito de usar o nome social na documentação interna da Universidade.
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20/04/2016 - 15:14
Editoria

Na última semana, mil estudantes colaram grau pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Dentre eles, um novo capítulo também teve início na vida de Daniele de Oliveira e Naomi Neri, as primeiras transexuais a obterem diploma de graduação na história da UEM. Além disso, a colação de grau das duas adiciona mais um capítulo inédito na existência da instituição, uma vez que Daniele e Naomi conquistaram o direito de usar o nome social na documentação interna da Universidade.

O nome social é a forma pela qual as pessoas preferem ser chamadas e identificadas em suas comunidades. Isso evita constrangimentos causados pelo fato de o nome de registro civil não refletir as informações contidas no documento de identificação pessoal. Vale dizer, ainda, que o nome civil da transexual fica disponível somente para a administração da UEM e nunca para alunas/os e professoras/es ou coordenadoras/es e chefes de departamentos. Informações colhidas pela professora Crishna Correa, do Departamento de Direito Público (DDP), da UEM, para a tese de doutorado em andamento, apontam que apenas 37% das universidades públicas do Brasil regulamentaram o uso do nome social.

Em agosto de 2010, Daniele de Oliveira se tornou a primeira aluna da UEM a entrar com um pedido para que o seu nome social passasse a ser adotado na instituição. Dois anos depois, a Universidade passou a identificar transexuais e travestis pelo nome que utilizam habitualmente e, em 2013, saiu a regulamentação, oficializando a prática. No ano passado, a Diretoria de Assuntos Acadêmicos (DAA) adequou o sistema de acordo com a normatização aprovada.

No Paraná, além da UEM, outras três instituições de ensino superior regulamentaram a questão: a Universidade Federal do Paraná (UFPR), o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFPR) e a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). A Universidade Estadual de Londrina (UEL) está se adequando para também a normatizar o uso do nome social. No caso da UEM, as pessoas trans, a partir de requerimento protocolado no setor responsável pelo controle acadêmico da Universidade, passam a ter os documentos internos grafados com o nome social do portador, como o Registro Acadêmico (RA), as listas de frequência em sala de aula, e os editais de nota. No verso do RA fica grafado o nome civil para que a estudante transexual possa utilizá-lo fora da instituição.

Simbologia - O avanço das discussões sobre o assunto tem como protagonistas alguns coletivos criados especialmente para debater assuntos desta natureza na UEM. Um exemplo típico é o do Grupo de Estudos das Pedagogias do Corpo e da Sexualidade (Gepecos) e do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Diversidade Sexual (Nudisex).

Ambos são os responsáveis pelo pedido para que a UEM adotasse, antes da regulamentação, a prática do uso do nome social para as pessoas transexuais, caso eles manifestassem essa vontade. Formada em pedagogia, Daniele defendeu, no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), o estudo Histórias Orais: Educação Sexual e Informal de Docentes do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual de Maringá.

No final de janeiro, o curso de Bacharelado em Farmácia e Bioquímica da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), realizou mais uma formatura, com colação de grau de 31 acadêmicos e dentre eles a Alícia Krüger, a primeira transexual formada pela UEPG em seus 46 anos de existência.