Universidades estaduais reforçam atividades de combate à dengue 24/03/2015 - 11:26

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Também preocupadas com o grande número de casos de dengue no país, as Universidades Estaduais de Londrina (UEL), de Maringá (UEM) e do Oeste do Paraná (UNIOESTE) estão intensificando as ações de combate à doença neste início de ano letivo. São medidas que vão desde a eliminação de possíveis criadouros do mosquito Aedes Aegypti até o desenvolvimento de um software para o mapeamento da dengue.

Uma das regiões do estado que mais preocupam é Londrina que só este ano já teve 250 casos confirmados da doença na região. Na UEL, a Divisão de Assistência à Saúde à Comunidade (DASC), Prefeitura do Campus (PCU) e o projeto ReciclaUel vão reforçar ações de combate à dengue no Campus Universitário neste início de ano letivo. A medida orienta sobre a necessidade de eliminação de possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti, com eliminação de recipientes que possam acumular água. Neste sentido, os cuidados com manutenção e limpeza serão redobrados. "É um plano de ação para prevenção e controle da dengue por conta do início das aulas", informa a chefe do DASC, a enfermeira Márcia Regina Pizzo de Castro.

Maria José Sartor, coordenadora do Reciclauel, lista locais propícios para o acúmulo de água que podem se transformar em possíveis criadouros, entre eles recipientes plásticos descartados de maneira incorreta. "Buscamos o envolvimento de toda comunidade universitária no controle e combate à doença", afirma Maria José. Ela informa ainda que foram realizadas reuniões informativas com os administradores prediais dos setores da universidade, com o objetivo de reforçar os cuidados de manutenção necessários para evitar focos de proliferação.

Londrina e região apresentam altos índices de infecção da doença. Segundo o último levantamento do Setor de Endemias, da Secretaria de Saúde da Prefeitura de Londrina, somente na última semana foram confirmados 63 casos da doença. O vírus da dengue é transmitido da pessoa doente para o mosquito sadio que repassa para outra pessoa através da picada da fêmea do mosquito. Fêmea do mosquito aedes tem hábitos diurnos e permanece com o vírus durante toda a vida


Em Maringá, além das ações sistemáticas para eliminar os focos de Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, como mutirões de recolhimento de lixo e de entulhos e roçadas pelo câmpus, a UEM ampliará seu leque de atividades, envolvendo diversos setores da Instituição. A coordenadora do Parque Ecológico da UEM, Lucimar Pontara Peres, comenta que a intenção é conscientizar a comunidade universitária sobre o descarte correto de lixo orgânico e de material reciclável; disponibilizar lixeiras funcionais de acordo com material a ser descartado; vistoriar possíveis pontos que possam vir a ser foco do mosquito e adotar ações para eliminá-los.

Nesta semana, o Conselho de Administração decide sobre um convênio com quatro cooperativas de reciclagem de Maringá para que elas possam recolher material reciclável no câmpus. Com a Secretaria de Saúde de Maringá, a UEM pretende desenvolver diversas atividades de conscientização, por meio de folhetos, mensagens por e-mail, palestras, documentários, sobre o perigo da doença e a necessidade de conservação de ambiente limpo. Além da percepção dos riscos e mudanças de atitudes, o objetivo é que as pessoas se transformem em multiplicadores do conhecimento.
A luta contra a dengue na UEM está envolvendo a Prefeitura do Câmpus (suas diretorias e Parque Ecológico), a prós-reitorias de Ensino (PEN) e de Extensão e Cultura (PEC), a Assessoria de Planejamento, a Reitoria e o Pró-Ação Ambiental. Em breve, deve ser realizado outro mutirão de limpeza do câmpus. A PEC e o Centro de Voluntariado Universitário também farão coleta de recicláveis dentro de uma gincana.

Software

Os pesquisadores da Unioeste desenvolveram um software que tem o objetivo de integrar os dados e informações sobre a Dengue que o município de Cascavel dispõe, trabalhando com modelos matemáticos e computacionais para simulação da proliferação da doença. Trata-se do Sistema de Informação para Aquisição, Manipulação e Tratamento de Dados sobre Dengue (Sigdengue), que também pretende viabilizar a rápida obtenção de informações por meio de consulta e relatórios sobre a Dengue, com visualização em mapas, ou seja, um mapeamento da cidade, visando uma adequada gestão de ações operacionais no controle e no combate ao vetor da doença.

O projeto faz parte de um programa de extensão do câmpus de Cascavel desenvolvido a partir de uma parceria entre a Unioeste e a Secretaria Municipal de Saúde de Cascavel, por meio do Programa de Endemias.

Segundo a coordenadora do projeto, professora Cláudia Bandeleiro Rizzi, este ano já foram feitos dois testes de campo e está sendo concluído o documento de requisitos do Software Sigdengue versão para web. Também o levantamento das 111 localidades da Dengue na cidade de Cascavel e do georreferenciamento dos pontos estratégicos.

Os processos incluem duas etapas: Simulações e Geoprocessamentos. Nas Simulações são feitas modelagens computacionais da dinâmica do espalhamento da dengue, empregando diversas abordagens, como redes de contato, autômatos celulares, agentes computacionais entre outras. O Geoprocessamento viabiliza a geração de mapas temáticos georreferenciados para estabelecer e integrar caracterizações ambientais, sociais, econômicas que influenciam a dinâmica da interação entre humanos e os vetores da Dengue, entre outras situações.

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Transmissor

O mosquito da dengue é rajado, geralmente escuro, com manchas brancas pelo corpo. Sua característica é a presença de um desenho prateado na parte dorsal do tórax. A fêmea pica durante o dia. Vale lembrar que mosquito contaminado permanece com o vírus durante toda a vida, um tempo médio de 30 a 45 dias. Porém os ovos permanecem vivos até 450 dias.

Há duas formas de dengue, a clássica e a hemorrágica. A dengue clássica apresenta-se geralmente com febre, dor de cabeça, dor no corpo, dor nas articulações e dor por trás dos olhos, podendo afetar crianças e adultos, mas raramente mata. Já a dengue hemorrágica é a forma mais severa da doença pois, além dos sintomas normais, é possível ocorrer sangramento, ocasionalmente, choque, o que pode le